Instalando programas no Ubuntu com APT
Uso o Ubuntu como meu sistema pessoal, e uma das coisas que mais gosto é não precisar sair procurando "baixar [programa] site oficial" e torcer pra não cair em algum site clonado ou cheio de propaganda enganosa. No Ubuntu (e em qualquer distribuição baseada em Debian) isso é resolvido por um gerenciador de pacotes chamado APT, que instala programas direto de fontes confiáveis, por linha de comando.
O que é o APT
APT (Advanced Package Tool) é o gerenciador de pacotes do Ubuntu. Ele instala, atualiza e remove programas a partir de repositórios — servidores mantidos pela Canonical (empresa por trás do Ubuntu) e por terceiros de confiança, com pacotes já testados e assinados digitalmente.
Um comando resolve o que, de outra forma, seria procurar um instalador na internet.
Comandos básicos
Todo comando do APT que instala, remove ou atualiza algo precisa rodar com sudo (permissão de administrador):
# Atualiza a lista de pacotes disponíveis nos repositórios
sudo apt update
# Procura um programa pelo nome
apt search nome-do-programa
# Instala um programa
sudo apt install nome-do-programa
# Lista os programas instalados manualmente (não conta dependências)
apt-mark showmanual
# Atualiza todos os programas instalados
sudo apt update && sudo apt upgrade
Um detalhe que vale explicar: apt update não atualiza programas — ele só atualiza a lista do que existe disponível nos repositórios. Quem realmente instala as atualizações é o apt upgrade. Por isso os dois costumam vir juntos.
Três jeitos de instalar, três cenários reais
Nem todo programa vem do mesmo lugar. Separei pelos programas de uso comum que uso de verdade na minha máquina, porque cada um ilustra uma situação diferente.
1. Direto do repositório oficial
A maioria dos programas do dia a dia já está disponível assim que o Ubuntu é instalado — não precisa adicionar nada, só instalar:
sudo apt install vlc mpv
VLC e MPV (meus players de vídeo) são exemplos disso: já estão no repositório principal do Ubuntu, prontos pra instalar com um comando só.
2. Um componente que existe, mas vem desligado por padrão
Às vezes o pacote existe nos repositórios do Ubuntu, mas mora numa categoria que não vem habilitada por padrão — geralmente por questão de licenciamento (drivers proprietários) ou porque a Canonical não dá suporte oficial completo àquele componente.
Steam é o exemplo mais direto: ele mora no repositório multiverse, que trata de pacotes com restrição de licença e não vem ativado numa instalação padrão.
sudo add-apt-repository multiverse
sudo apt update
sudo apt install steam
Drivers da NVIDIA seguem uma lógica parecida, mas o Ubuntu já facilita ainda mais: em vez de mexer manualmente no repositório restricted, existe uma ferramenta pronta que detecta sua placa de vídeo e instala o driver certo sozinha:
sudo ubuntu-drivers autoinstall
3. Repositório de terceiros (o fabricante mantém o próprio canal)
Alguns programas não vêm nos repositórios da Canonical de jeito nenhum — mas o próprio fabricante disponibiliza um repositório oficial que você adiciona manualmente, uma única vez. Depois disso, ele funciona como qualquer outro pacote: recebe atualizações pelo apt upgrade normalmente.
Discord é um exemplo assim: o pacote .deb é baixado direto do site oficial e instalado pelo APT, que resolve as dependências:
sudo apt install ./discord-*.deb
Google Chrome segue o mesmo caminho — baixa o .deb do site oficial e instala:
sudo apt install ./google-chrome-stable_current_amd64.deb
Mesmo baixando o arquivo manualmente, ainda é o APT resolvendo a instalação e as dependências — só a origem do arquivo que muda. Isso também é o que garante que, depois de instalado, o programa continue recebendo atualizações junto com o resto do sistema pelo apt upgrade.
Programas que uso e onde cada um se encaixa
Pra fechar, um resumo de como esses cenários se aplicam aos programas de uso comum que realmente uso no dia a dia:
| Programa | Categoria |
|---|---|
| VLC, MPV | Repositório oficial |
| OBS Studio | Repositório oficial |
| Discord, Spotify | Repositório de terceiros (via .deb) |
| Google Chrome | Repositório de terceiros (.deb baixado direto) |
| Steam | Componente multiverse |
| Driver NVIDIA | ubuntu-drivers autoinstall |
Fica de fora dessa lista, de propósito, tudo que é ferramenta de ambiente de desenvolvimento (VS Code, Warp, Arduino IDE) — faz mais sentido tratar isso à parte, num conteúdo focado em deixar a máquina pronta pra programar, em vez de misturar com os programas de uso comum aqui. Esse é um bom gancho pra próxima parte deste tutorial: um script que já deixa o Ubuntu pronto logo depois de uma instalação limpa.
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